Acajutibiró Potiguara, mais conhecida como Baia da Traição, cidade do interior da Paraiba, fica 70 km distante da capital, João Pessoa. Terra de uma verdadeira¨nação de guerreiros¨. Sim, guerreiros no sentido mais literal da palavra.Nos tempos do¨descobrimento¨um certo cidadão de origem italiana, conhecido por nós como Américo Vespúcio, lá no início do século16 visitava muito o Sul do Planeta em busca de prováveis riquezas para a coroa da ,que tinha um pedaço interessante de terras por estas bandas. Américo mantinha os seus bolsos cheinhos com o soldo da coroa, que bancava suas viagens - e de sua equipe de homens do mar, degredados, mercenários e até grumets(pirráia) - , trazendo do velho mundo a dominação desequilibrada do mais forte pelo mais fraco e levando daqui tudo o que era do interesse da coroa, além do que sua memória pudesse guardar, afinal o novo mundo era algo espetacular para os olhos e para a imaginação.
Sabendo do interesse das populações européias pelas informações de além mar, Américo escrevia os Contos do novo mundo e, nele, maravilhado com as experiências vividas, também fantasiava situações espetaculares e até absurdas para seus leitores.
Imagine animais nunca antes vistos ou imaginados. Aves falantes? Eita, essa era barbada. Todo mundo queria um papagaio, pô! Populações nativas, todos completamente nús em cenários paradisíacos era prato cheio para o italiano abarrotar os bolsos, mas cometeu uma certa injustiça. Pelo menos na nomenclatura.
Contou este senhor que, ao chegar numa Baia de ¨latitude X e longitude Y¨, atracou perto de um cenário de falésias belíssimo, avistou algumas mulheres completamente nuas brincando na praia.Prontamente, enviou barcos com marujos e padres jesuítas para estabelecer contato com com aquelas pessoas. Chegando à praia, as mulheres os distrairam e os homens os atacaram por trás com ossos de animais, acertaram as cabeças como se fossem marretas. Devoraram a todos ali mesmo, enquanto Vespúcio assistia aterrorizado. Daí batizou com o nome de Baia da traição.
O engraçado desta¨historinha¨é que as mulheres não tinham a função de guerrear, nem mesmo em tempos de guerra com outras tribos, muito menos de armar uma emboscada. Guerreiros não faltavam numa tribo antropofágica, que representa a resistência contra a dominação extrangeira naquela Região, que viria a ser o estado da Paraiba. Lutou contra Portugueses, Espanhois, Holandeses, Franceses e quem viesse!
Os Gringos tinham um
parceiro ideal para esta peleja, os Tabajaras.Tribo esta extinta pela própria relação com os gringos, os orientavam pelas florestas e outras 'cossitas mais'. Hoje, somos 11 aldeias espalhadas pela área demarcada pela Funai. E cada aldeia tem o seu cacique e todas são geridas pelo cacique da aldeia principal, que é a do São Francisco, em cima das falésias como falou o italiano.A luta que se trava para resgatar a identidade e a cultura Potiguara é vital para que não esqueçamos quem somos e quanto nossos antepassados tiveram que lutar para hoje não sermos só mais um povo nas linhas dos livros de História de estudantes secundaristas.
E quanto ao nome. Bom, se ouve traição de alguém, não foi nossa! :)
E quanto a mim nesta história toda? Sou a quarta geração de uma espanhola com um cacique potiguara por parte de pai e terceira geração de uma india potiguara com um português por parte de mãe. Cresci correndo pelas aldeias, tomando banho de rio, de mar, pescando, caçando e brigando todos os dias. Sim, todos os dias! Todo mundo cor de jambo e eu, o amarelo, o diferente. Por este motivo, enfrentei a¨ira potiguara, mas na nossa inocência infantil. Era bofete todo dias, mesmo tendo o sangue dos ex-comedores de gente também correndo dentro de minhas veias, o que me fez crescer pronto para a guerra.
E sem traição seu Américo...


